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Figueiró, sempre foi uma aldeia maioritariamente ligada à
agricultura e pastorícia, atingindo os pastores existentes um
número bastante significativo. Com a desertificação da maior
parte das quintas, resultante da forte emigração que atingiria
gravemente esta região do interior, esse número seria reduzido
drasticamente. O número total da população, 1005 habitantes, que
conheceu em 1946, reduz-se agora a cerca de 300, que fazem da
construção civil, o principal
sector de laboração.
No princípio do século XX havia duas
fábricas de lanifícios, que muito cedo fecharam as suas portas.
Uma que teve o seu início no século XIX, encerraria nos fins do
mesmo século ou princípios do sec. XX, a outra acabou em 1950.
Durante a segunda guerra mundial, e com a exploração das minas
conheceu-se uma certa prosperidade que haveria de trazer más
consequências para a freguesia.
Aliás o proveito seria praticamente nulo para
Figueiró, que se limitou a ver dezenas de habitantes e
trabalhadores das minas a morrerem no auge da sua vida, vítimas
da silicose. Famílias destroçadas, viúvas jovens e crianças que
cresceram sem terem os pais a seu lado. As terras por onde as
águas da lavagem do minério passavam, ficariam estéreis, muitas
ainda nos dias de hoje, e a compensação foi nenhuma, sem ninguém
a aceitar as responsabilidades.
Houve um período em que se registou um grande número de pessoas
que se dedicavam a diferentes ofícios e ramos comerciais. Numa
edição do Jornal de Gouveia de 1953, encontravam-se os seguintes
anúncios publicitários referentes a Figueiró da Serra:
Para além destes, muitos outros exerciam, outras actividades
como alfaiates, ferradores, ferreiros, electricistas, padeiras,
pedreiros, tecelões, serralheiros, sapateiros, etc. Era uma
aldeia em franco desenvolvimento, que se encontrava em situação
mais avançada que muitas das aldeias do concelho.
Hoje, um pouco por culpa da política,
Figueiró está a tentar recuperar o prestígio que lhe pertence.
Na actualidade, boas vias de comunicação são fundamentais para o
progresso necessário, não se percebe a razão de existir no séc.
XXI uma estrada nas condições daquela que liga Figueiró à sede
do concelho, Gouveia.
Vamos esperar para ver o que o futuro nos
reserva... |