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Figueiró
da Serra, tal qual uma outra comunidade, tem elementos que se
destacam na vida quotidiana
da freguesia. As pessoas que aqui menciono
podem nem ser naturais da aldeia, mas de certo modo e na sua
maneira especial, contribuíram para o progresso desta terra e
bem-estar de todos nós.
Podem não
estar de acordo e dizer que houve outros, mas isto e só uma
opinião pessoal e pode-se muito bem afirmar que qualquer um de
nos, a nossa maneira, também trabalhamos para o bem da nossa
terra natal.
O primeiro
indivíduo que destaco chama-se António Gonçalves Viegas, este
nome pode-lhe não dizer nada, ele era mais conhecido por
TONITINHO.
"Tonitinho"
António Gonçalves Viegas, nasceu nos
anos 20, não sabia ler ou escrever, mas isso não o impedia
de realizar os mais diversos trabalhos, mais
que não fosse para a sua sobrevivência.
Na sua maneira
simples era um aguerrido defensor da sua freguesia, sem filiação
política, ele auto nomeava-se membro de qualquer Junta que
estivesse a exercer funções.
Um dos
trabalhos de que se ocupava era o da distribuição de correio, o
que era notável para uma pessoa iliterata, outra função de que
se ocupava era o de ligar e desligar a luz eléctrica na cabina
no alto do casal. Era sobejamente conhecido na região, ajudava
bastante as pessoas e era estimado por todos. Faleceu em Janeiro
de 2006 com 87 anos de idade, depois de estar largos anos num
Lar de Idosos.
Professor
Porfírio do Nascimento
O Professor Porfírio marcou
definitivamente gerações de Figueiroenses que passaram pelas
suas salas de aulas, uns nas escolas velhas,
outros já na escola nova. Amado por uns, mal-amado por outros
(derivado do trabalho desenvolvido pela menina de cinco olhos),
mas todos os seus alunos lhe devem estar gratos pelos êxitos
conseguidos escolar e profissionalmente.
Foi uma figura
que surgiu em Figueiró no ano de 1944, quando ele tinha então 22
anos de idade e ministrava o ensino pela primeira vez, os seus
métodos de ensino eram bastante rigorosos, mas de grande
competência.
Ainda hoje é
recordado com saudade e até à sua morte foi sempre bem recebido
e acarinhado pelas gentes de Figueiró.
Padre José Ventura
O Padre Ventura é outra figura
emblemática da freguesia, foi até à sua partida para o Brasil
muitas vezes incompreendido pelas pessoas.
Também ele marcou gerações de jovens e
trabalhou bastante em prol da aldeia e teve um papel fundamental na construção do salão paroquial.
Foi o último padre residente que passou pela
freguesia (a sua habitação era no edifício hoje ocupado pelos
museus), saiu de Figueiró de uma maneira um pouco estranha e foi
parar ao Brasil, onde ainda hoje se encontra.
Almirante Henrique Tenreiro
(foto album)
Henrique Ernesto Serra dos Santos Tenreiro, nasceu em 18 de Dezembro de 1901, faleceu com 92 anos
no dia 22 de Marco de 1994.
Era filho do Professor António dos Santos
Tenreiro, que era natural de Figueiró da Serra.
Depois de ler
sobre ele, verifiquei que foi sempre uma pessoa muito
incompreendida e mal-amada (inclusivamente em Figueiró e outras
povoações que muito ajudou), muito por culpa da pouca e má
informação que chega aos ouvidos das pessoas.
O 25 de Abril
conseguiu várias coisas, veio trazer a liberdade, o fim da
ditadura e com isso a prisão e exílio do Almirante Tenreiro, mas
por ironia do destino veio provar a sua inocência. Ele era
acusado de ser das figuras mais corruptas do regime de Salazar,
era o que se dizia e todos acreditavam e a sua reputação ficava
manchada. Preso, foi vítima de um tortuoso e doloroso inquérito
que duraria 22 meses, dia e noite. Aguentou quase um ano de
torturas que o diminuiu física e moralmente e por fim ficou
um processo de 38 volumes com 15000 páginas,
para se chegar à conclusão que não havia nada contra ele.
Afinal era um
homem abnegado e bastante benemérito, nunca colheu proveitos,
mas teve
encargos e canseiras. Foi exilado para o
Brasil onde viveu na penúria, morreria na miséria, não
fosse a ajuda de um antigo opositor de
Salazar.
Este tornou possível o seu último desejo, de
ser sepultado em Portugal. Está sepultado em
Lisboa com a farda de Almirante, mas da
Marinha do Brasil, porque a Armada Portuguesa negou-se a dar-lhe
uma.
Em Figueiró
podemos realçar, para além da preciosa ajuda na construção do
Salão
Paroquial, a oferta do relógio da Torre da
Igreja, como demonstra a placa afixada para o efeito
no dia da sua inauguração.
Da sua boca
saíram estas palavras
"O Pais não se governa com
palavras vãs, mas com trabalho."
Sr.
José Maria Mendes
Não podia deixar de mencionar
este conterrâneo, que desempenha um papel importantíssimo na
vida de
Figueiró. É uma pessoa que zela
fervorosamente pelo bem da sua terra e podia encher uma página
com tudo em que ele esteve envolvido e ajudou a realizar por
Figueiró.
Lembro-me por
exemplo, da chegada dos primeiros arcos de iluminação das festas
e que hoje se utilizam, do recuo e melhoramento do Chafariz do
Cimo do Lugar, o que veio dar outro aspecto mais agradável ao
Largo e mais recentemente (em 2005), com a colaboração da
Prazeres, restaurou as alminhas que necessitavam de ser
reparadas.
Graças a ele,
construi-se uma obra bastante importante para todos nós, que foi
a construção dos Museus de Arte Sacra e Rural, onde o nosso
espólio cultural e patrimonial pode ser salvaguardado e onde se
podem admirar peças muito bonitas e valiosas que fazem parte da
nossa história.
Está
igualmente empenhado na construção do lar de idosos, obra
fundamental para o futuro de Figueiró e suas famílias. Ao mesmo
tempo, consegue envolver os jovens e a interessá-los pelas suas
origens. Uma pessoa que merece o apreço e admiração de todos
nós.
Fernando Pires Ferreira
(Pifer)
Este figueiroense, podemos dizer
que foi uma figura carismática que à sua maneira não passou
despercebida na vida da nossa aldeia.
A mim pessoalmente, como meu padrinho de
baptismo, marcou-me pela maneira carinhosa e amiga com que
sempre me tratou, só tenho pena de nos ter deixado tão
prematuramente.
Foi um
individuo com um sentido empresarial bastante desenvolvido,
talvez um pouco avancado para a sua época, foi dos primeiros e
dos poucos, por exemplo, a ter telefone em Figueiró, tinha
diferentes mercadorias que vendia com a sua marca pessoal, mais
célebres seriam os seus relógios (Pifer, abreviatura de Pires
Ferreira).
Recordo-me da
sua alegria de estar na vida, bem disposto e por vezes um pouco
polémico, deixou-nos uma frase (entre outras) que ficou célebre
e apareceu escrita no muro do Cimo do Lugar: " Hoje haverá
selos? "
Curiosamente, se repararem na foto ao lado (num dia de
Carnaval), por detrás do Fernando aparece uma outra figura,
também ela bastante notada no dia a dia de Figueiró, trata-se do
Afonso (Belão).
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